Liderar, para mim, é muito mais do que ocupar um cargo ou tomar decisões. É assumir responsabilidades, conduzir pessoas e construir resultados em conjunto, sem perder de vista que sempre há algo novo a aprender. A experiência nos dá repertório, mas é a disposição para continuar evoluindo que nos prepara para novos desafios.
Ao longo de quase 18 anos de atuação no agronegócio, construí minha trajetória sempre próxima do produtor rural e da realidade de quem vive do campo. Foram quase 15 anos trabalhando com crédito rural e, há três anos e meio, estou à frente da gestão de uma loja agropecuária da Nater Coop, uma das maiores cooperativas do agronegócio do Espírito Santo. Essas experiências ampliaram minha visão sobre o setor e me ensinaram que, por trás de cada resultado, existem pessoas, histórias e desafios que exigem conhecimento, diálogo e capacidade de adaptação.

Como administradora e gestora, procuro não me acomodar com o que já aprendi. Busco novos conhecimentos, invisto na minha formação e procuro transformar o aprendizado em prática. Recentemente, a Nater Coop me possibilitou participar de uma capacitação sobre liderança feminina desenvolvida pelo Sistema OCB/ES, uma oportunidade de ampliar perspectivas, trocar experiências e refletir sobre o papel das mulheres nos espaços de decisão.
Acredito que a liderança feminina contribui para criar ambientes mais diversos, nos quais diferentes experiências e formas de pensar podem se complementar. Essa diversidade amplia o olhar sobre os desafios, favorece o diálogo e ajuda a construir equipes mais preparadas para encontrar soluções que trazem benefícios comuns. Não se trata de afirmar que mulheres e homens lideram de uma única maneira, mas de reconhecer que a participação feminina agrega conhecimentos, perspectivas e competências importantes para o desenvolvimento das pessoas e dos negócios.
Na gestão de equipes, aprendo diariamente que os resultados não dependem apenas de metas e processos. É preciso dar direcionamento, ouvir, reconhecer dificuldades e criar condições para que as pessoas desenvolvam seu potencial. Uma liderança que incentiva o aprendizado e valoriza as contribuições individuais fortalece o compromisso coletivo. E, quando uma mulher ocupa esse espaço com preparo e responsabilidade, também pode inspirar outras a reconhecerem suas próprias capacidades e buscarem oportunidades de crescimento.
No cooperativismo, essa contribuição tem um significado ainda maior. Cooperar é construir junto, valorizar as pessoas e unir diferentes competências em torno de objetivos comuns. Ampliar a presença feminina na gestão e nos espaços de decisão fortalece as cooperativas, enriquece as equipes e contribui para o desenvolvimento do agronegócio e das comunidades.
O Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro, é uma oportunidade para reconhecer essa participação e refletir sobre temas em que ainda precisamos avançar. Mais do que celebrar conquistas, é importante garantir oportunidades de formação, desenvolvimento e participação para que cada vez mais mulheres possam contribuir e liderar.
Ao olhar para minha trajetória, reconheço o quanto aprendi com os produtores rurais, com as equipes e com os desafios que enfrentei. Também sei que ainda tenho muito a aprender. É essa disposição para seguir em movimento que orienta minha forma de liderar e reforça minha convicção de que o desenvolvimento nunca é individual: quando uma pessoa cresce e ajuda outras a crescer, toda uma equipe se fortalece.